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Amazônia Legal

Seria preciso um exército de cozinheiros e anos de pesquisa para começar a desvendar o potencial de sabores da Amazônia, diz o chef que apresentou a priprioca ao mundo da alta gastronomia.

POR TETÉ MARTINHO

Como nasce sua relação com os sabores regionais brasileiros?
Sou de uma família que sempre gostou de pescar, de caçar. Lembro de comer cambuci com meu avô no mato, pequi, muito menino. A gente não ia atrás do sabor; ia atrás da aventura. E isso virou memória afetiva. Então o contato com esses ingredientes vem da infância; mas a valorização vem da vivência de outras cozinhas. Na alta gastronomia, vive-se um retorno ao produto primeiro. Isso me martelava enquanto eu aprendia, na Europa. Tive fases: fui fascinado pela cozinha francesa, pela italiana; pela japonesa sou até hoje. Mas um dia entendi que nunca ia fazer cozinha francesa tão bem quanto um francês, e que ninguém no mundo poderia fazer comida brasileira tão bem quanto um brasileiro.

Qual é sua experiência com a Amazônia?
Conheço bem a Amazônia, e tenho orgulho de dizer isso, porque não é um lugar que se deixe ver com facilidade, que se possa conhecer em uma viagem. A Amazônia é muito complexa. Não existe uma, existem milhões. Acima do rio Negro, abaixo do rio Negro, acima do Amazonas, abaixo do Amazonas, a região do Madeira. Eu tenho casa no Amapá, e lá é outro mundo: tem cerrado, manguezal, floresta ciliar, áreas inundáveis, veredas de buriti. Parece que você está vendo o Discovery Channel.

Como vê a relação do brasileiro com a região?
Até há pouco a Amazônia era desprezada como destino turístico; sou capaz de apostar que mais paulistas conhecem Miami do que Belém do Pará. E é maluco pensar que, em uma cidade como São Paulo, você consiga ingredientes para realizar receitas francesas, árabes, italianas, japonesas, coreanas, mas não ache tapioca ou jambu no Santa Luzia. Se dá para trazer as coisas do outro lado do mundo, por que não daqui?

Você é tido como um embaixador da Amazônia no mundo da alta gastronomia. Como chegou ao “posto”?
Amazônia é uma das palavras mais conhecidas do mundo, mas ninguém sabe qual é seu sabor. No dia em que entendi isso, vi que tinha um caminho a trilhar. Não inventei de usar o ingrediente amazônico. Mas fui o primeiro cara do mundo a usar priprioca em uma receita. Dessa raiz, se faz um perfume, o cheiro-do-pará. Pensei: se não é tóxico, vou comer este negócio.

Leia a entrevista completa na revista Pororoca # 2, página 140

         
 
 
  Inimigo Leal  
       
   
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